A proposta consiste em uma especialização lato sensu voltada à formação de profissionais capazes de atuar, de modo interventivo, planejado e tecnicamente orientado, com estudantes que apresentam dificuldades, deficiências, transtornos do neurodesenvolvimento, defasagens de aprendizagem, barreiras cognitivas, comunicacionais, emocionais e sociopedagógicas. O eixo central do curso é a Modificabilidade Cognitiva, compreendida como possibilidade de transformação das funções mentais, dos repertórios de aprendizagem, das formas de interação com o conhecimento e dos modos de resposta do estudante diante de situações-problema.
Trata-se de um curso eminentemente prático, mas não “praticista”: sua organização curricular evita disciplinas genéricas como fundamentos, introduções, seminários, estágios, metodologia ou pesquisa, concentrando-se em unidades curriculares operacionais, nas quais o estudante aprende a observar, interpretar, planejar, adaptar, intervir, registrar e replanejar ações educativas inclusivas.
Formar especialistas em Educação Especial capazes de elaborar, aplicar e avaliar intervenções pedagógicas baseadas na modificabilidade cognitiva, na mediação intencional da aprendizagem, na acessibilidade curricular, na tecnologia assistiva, na comunicação alternativa e na construção de respostas educacionais personalizadas para estudantes com diferentes necessidades educacionais.
Ao concluir o curso, os especialistas deverão ser capaz de:

Doutorando em Ciências da Educação (USC-Py), Mestre em Educação (Unifesp), Especialista em Neurociência Clínica, Neuropsicopedagogia Clínica, Psicopedagogia Clínica e Institucional,
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A matriz abaixo organiza o curso em três momentos formativos: primeiro, a compreensão conceitual da modificabilidade; depois, sua relação concreta com a experiência escolar; por fim, a avaliação e a intervenção pedagógica propriamente ditas.
Estudo das possibilidades de investigação em Educação Especial a partir da delimitação de temas, problemas, objetivos e objetos de análise relacionados aos processos de escolarização, inclusão, acessibilidade, atendimento educacional especializado, práticas pedagógicas, políticas públicas, legislação educacional, avaliação, intervenção e estudos de caso. Análise das bases teórico-metodológicas que sustentam pesquisas na área, considerando abordagens qualitativas, estudos bibliográficos, documentais, relatos de experiência, análise de práticas educacionais e estudos de caso. Orientação para a construção inicial de projetos investigativos vinculados à realidade escolar, com ênfase na identificação de problemas educacionais concretos, na formulação de perguntas de pesquisa e na definição de percursos metodológicos coerentes com o campo da Educação Especial.
Esta unidade curricular aborda a noção de modificabilidade como princípio estruturante da intervenção em Educação Especial. Trabalha a compreensão de que o desenvolvimento não deve ser lido apenas como expressão de déficits, limitações ou diagnósticos, mas como campo de possibilidades mediadas, no qual o estudante pode ampliar funções cognitivas, reorganizar estratégias de aprendizagem e construir novos modos de relação com o conhecimento.
A unidade discute o potencial de aprendizagem, a superação da visão fixa de inteligência, a diferença entre desempenho atual e possibilidade de desenvolvimento, bem como a importância de reconhecer indicadores de mudança mesmo em estudantes com deficiência intelectual, TEA, deficiências múltiplas, transtornos do neurodesenvolvimento ou severas defasagens escolares.
A unidade organiza as principais funções cognitivas envolvidas na aprendizagem escolar: percepção, atenção, memória de trabalho, comparação, classificação, orientação espacial, orientação temporal, análise, síntese, planejamento, controle inibitório, flexibilidade cognitiva, linguagem, inferência e monitoramento da resposta.
A proposta é compreender como tais funções aparecem nas atividades escolares, especialmente na leitura, na escrita, na matemática, na resolução de problemas, na interpretação de comandos, na organização de materiais, na participação em sala e na realização de tarefas sequenciadas.
Esta unidade relaciona neurodesenvolvimento, deficiência, transtornos, barreiras de aprendizagem e acessibilidade cognitiva. O foco não está na classificação clínica dos estudantes, mas na compreensão de como determinadas condições podem afetar comunicação, flexibilidade, atenção, memória, autorregulação, linguagem, processamento sensorial, planejamento motor e participação escolar.
A unidade trabalha a passagem de uma leitura centrada no diagnóstico para uma leitura centrada nas barreiras e nas respostas educacionais necessárias. Com isso, evita-se reduzir o estudante ao laudo, favorecendo uma atuação baseada em necessidades concretas de mediação, adaptação e intervenção.
Estudo do uso crítico, ético e metodologicamente orientado da Inteligência Artificial na produção científica em Educação Especial. Análise das possibilidades de utilização de ferramentas de IA para levantamento inicial de temas, organização de ideias, formulação de perguntas de pesquisa, construção de prompts, refinamento de objetivos, estruturação de capítulos e seções, revisão textual, comparação de argumentos, elaboração de quadros analíticos e apoio à triangulação de dados. Discussão dos limites da IA na pesquisa acadêmica, com ênfase na verificação de fontes, prevenção de plágio, checagem de referências, controle de alucinações, transparência metodológica e responsabilidade autoral. Aplicação de estratégias de escrita assistida por IA sem substituição da autoria intelectual do pesquisador.
Esta unidade analisa a escola como ambiente de experiência cognitiva, social, comunicativa e emocional. Trabalha a rotina escolar, os tempos de permanência, as transições entre atividades, os momentos de entrada e saída, a organização do material, a participação em grupo, a interação com colegas e professores, bem como as situações em que o estudante apresenta recusa, fuga, isolamento, agitação ou baixa iniciativa.
A unidade propõe que a experiência educacional seja lida como campo de observação e intervenção, no qual cada rotina pode se tornar oportunidade de desenvolvimento de autonomia, comunicação, autorregulação e aprendizagem.
Esta unidade trabalha a relação entre currículo e acessibilidade. O objetivo é formar o especialista para analisar atividades escolares, identificar sua carga cognitiva, reconhecer obstáculos nos comandos, nos textos, nas imagens, nos exercícios, na organização da página e no tipo de resposta exigida.
A unidade aborda adaptação de atividades sem empobrecimento curricular, construção de tarefas em diferentes níveis, uso de pistas, exemplos graduados, suportes visuais, segmentação de comandos, ampliação de tempo, reorganização de materiais e preservação dos objetivos pedagógicos essenciais.
A unidade concentra-se nas formas de comunicação presentes na escola, considerando estudantes oralizados, não oralizados, com comunicação limitada, ecolalia, baixa iniciativa comunicativa, dificuldades pragmáticas, alterações na compreensão verbal, uso de Libras, recursos visuais ou sistemas alternativos e aumentativos de comunicação.
Trabalha estratégias para ampliar escolhas, respostas, pedidos de ajuda, participação em atividades coletivas, compreensão de comandos, uso de pranchas, cartões, objetos de referência, imagens, agendas visuais e recursos digitais simples.
Orientação aplicada para elaboração de artigo científico na área da Educação Especial a partir de tema de investigação previamente definido. Desenvolvimento das etapas de escrita acadêmica, contemplando título, resumo, palavras-chave, introdução, problema de pesquisa, objetivos, justificativa, referencial teórico, metodologia, apresentação de dados, análise, discussão, resultados, considerações finais e referências. Estudo da articulação entre legislação, políticas educacionais, literatura especializada e realidade escolar. Produção progressiva de texto científico com atenção à coerência argumentativa, ao rigor conceitual, à organização metodológica, à clareza expositiva e à adequação às normas acadêmicas.
Esta unidade ensina a construir avaliações pedagógicas funcionais, isto é, avaliações voltadas à compreensão do modo como o estudante aprende, responde, comunica-se, organiza-se, interage, compreende comandos, mantém atenção, utiliza recursos, enfrenta desafios e necessita de mediação.
A avaliação é tratada como instrumento de intervenção, não como mecanismo de classificação. São trabalhadas fichas de observação, protocolos de desempenho, análise de tarefas, registros de autonomia, escalas pedagógicas, portfólios e instrumentos de levantamento de potencialidades.
Esta unidade trabalha a elaboração de planos educacionais individualizados com metas claras, observáveis e alcançáveis, vinculadas à modificabilidade cognitiva, à participação curricular, à comunicação, à autonomia, à autorregulação e ao desenvolvimento de repertórios escolares.
O foco está em evitar planos genéricos, excessivamente burocráticos ou descolados da sala de aula. A unidade ensina a formular objetivos de curto e médio prazo, selecionar estratégias, definir recursos, organizar responsabilidades, estabelecer indicadores de progresso e prever formas de acompanhamento.
A unidade concentra-se nas três áreas escolares mais recorrentes nas demandas de intervenção: leitura, escrita e matemática. Trabalha leitura guiada, vocabulário antecipado, compreensão textual mediada, reconto, inferência, escrita apoiada, banco de palavras, frases iniciadoras, produção textual por etapas, consciência fonológica, contagem, operações, problemas matemáticos graduados, materiais manipuláveis e representação concreta-pictórica-abstrata.
A unidade enfatiza que a intervenção deve ser planejada por função cognitiva, habilidade curricular e tipo de barreira, e não apenas pela repetição mecânica de exercícios.
Estudo dos processos de preparação, formatação, submissão e acompanhamento de artigo científico em periódicos acadêmicos da área da Educação, Educação Especial, Inclusão, Psicopedagogia, Acessibilidade e áreas afins. Análise de escopo editorial, diretrizes para autores, normas de formatação, critérios de avaliação, sistema de submissão, identificação de revistas adequadas, ética na publicação, originalidade, autoria, coautoria, plágio, autoplágio e resposta a pareceres. Orientação para adequação final do artigo às exigências editoriais de revistas científicas, com preparação de documentos complementares, carta de apresentação, metadados, resumo, palavras-chave, referências e arquivos de submissão.
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Dro. Valter A J O Abbeg
12 Meses
12
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